FOTO #64 - Recomeço
Porque encerrei duas séries. E comecei duas novas.
Recentemente li o livro “O ato criativo” de Rick Rubin e fui muito impactado positivamente. Ao final da leitura, estava muito empolgado para começar duas novas séries fotográficas. Foi aí que me dei conta de que eu tinha outras séries inacabadas que, ao longo de pelo menos 10 anos, eu vinha sempre dizendo, inclusive aqui no Substack, que eu estava retomando. Mas, por uma dificuldade ou outra, acabava parando novamente.
Então aproveitei a energia que o livro me deu e tomei coragem de encerrar essas séries que estavam paradas. Disse para mim mesmo que não valia a pena continuar “só pra terminar”. No fundo, no fundo, eu estava procurando uma desculpa para fazer um “grand finale” de algo que eu mesmo deixei morrer.
Tomada a decisão, aceitei o fim, agradeci pelos aprendizados, virei a página e comecei a escrever as duas séries fotográficas às quais vou dedicar alguns bons anos.
Uma série sobre uma cidade
A primeira se chama “Um paulistano em Uruguaiana”. Já estive três vezes naquela cidade em 2025 e vou voltar mais duas vezes esse ano. E devo continuar voltando nos anos que virão. Das minhas primeiras idas, eu fiz uma curadoria e separei mais de 100 fotos e vídeos. Algumas dessas imagens eu já postei no Notes e outras fizeram parte da edição dessa newsletter em que me dediquei a falar sobre o tema da fotografia de viagem. O objetivo final da série é produzir uma exposição na praça da cidade com essas imagens de como um “forasteiro” que mora em uma cidade a mais de 1.000 km de distância enxerga a cidade. Esse projeto será baseado em compartilhamento de fotos nas redes sociais, especialmente Facebook (tem uso muito forte na cidade) e Instagram. Os perfis já estão abertos e as postagens começam nos próximos dias.
Uma das minhas referências é o texto “Luz Invisível” escrito por Luis Fernando Veríssimo para o livro de Marcio Scavone, o meu mestre na fotografia. No primeiro workshop que ele fez em seu estúdio, passou o vídeo a seguir para assistirmos. Fiquei totalmente atraído por ele e já revi milhares de vezes ao som da narração de Paulo Autran. Contando a história de um misterioso fotografo que chega em uma cidade se oferecendo para fazer retratos das pessoas.
E por proximidade, uma outra série que o Marcio fez na Serra Gaúcha para o livro “Laços de Família: Etnias do Brasil” que ele mostrou nesse mesmo workshop sempre povoou meu imaginário como fotografo. De alguma forma isso ficou registrado em mim e esse trabalho também inspira essa série.
211
A segunda série, na verdade, é um projeto editorial chamado “211”, em que eu trabalho fotos, minidocs em vídeo e ensaios em texto como observador do movimento de corrida de rua. A bem da verdade, ele deriva de uma série de fotografias que fiz em 2018 e 2019, quando documentei a cena das “running crews” paulistanas. A ideia agora é aprofundar a minha investigação pelo viés sociocultural através de imagens. Ou seja: não se trata de mais um perfil que fala de tênis, dá dicas de corrida, etc. A minha proposta é mostrar o que acontece por fora do esporte, o que pensam alguns personagens que nunca são vistos, mostrar o que as pessoas não enxergam (ou não querem enxergar) nesse movimento. Esse projeto, sim, será baseado em uma newsletter aqui no Substack, que começará a ser publicada nessa semana. E, caso você queira conhecer mais, assine aqui.
A outra razão para a criação da 211 é a uberização da fotografia de corrida de rua. Com o crescimento do número de participantes nas corridas de rua, cresceu também o número de pessoas que aderiram a plataformas como Fotop e Foco Radical, que nasceram para intermediar a compra e venda de fotos nesses eventos, mas acabaram se tornando a Uber e a 99 da fotografia, levando à desvalorização da mão de obra e ao desaparecimento quase que completo da qualidade do trabalho entregue. Logo, atletas que procuravam fotógrafos como eu e alguns colegas, que se dedicavam a documentar esse esporte, optam hoje por pagar R$ 5,00 por uma foto mal feita por uma pessoa que está ali apenas para apertar um botão.
Mas as coisas mudam e é isso. Sigo por outro caminho sem deixar de fazer o que gosto. E estou feliz com as decisões que tomei. Estou trabalhando bastante para que ambos os projetos deem certo. Deixo aqui meu convite para que você, que gosta do que eu faço, acompanhe também essas minhas novas empreitadas.
Ah, e essa newsletter continuará sempre ativa. Assim como o Notes.
Obrigado e até a próxima.
Observação: esse texto foi revisado ortograficamente pelo ChatGPT, mantendo a íntegra do que escrevi, sem mudança de estilo ou ajustes de fluidez do texto.











adorei o projeto sobre Uruguaiana, cidade do meu pai e dos meus avós, que eu visitei várias vezes e sempre achei interessante. as tuas fotos de lá que eu já vi são muito lindas e uma oportunidade para que eu possa dar uma espiadinha na cidade que era o amor da minha vó.
Não consegui assinar a news 211. Não apareceu o ícone. Acho que todos os inscritos aqui já são redirecionados. Será?